
Hoje preguei meus olhos — por muitos segundos — neles mesmos, fixados ao espelho do banheiro.
Observei-os, por mais algum tempo, neles mesmos, desta vez em fotografias.
E procurei, em cada uma destas facetas oculares, por algo que me pudesse definir, perseguia o número… Porque toda vida que existe, existiu e existirá, carrega em si um número, o número.
Por algum tempo, acreditei que a resposta cintilava no brilho castanho. Em outras fases, que jazia na treva pupilar. E, através de entremomentos vários, cri nos reflexos.
Fechei os olhos por um instante.
Tudo havia passado, e só eu continuava o mesmo: era Outro.
“… por que nossas vidas são, na maior parte do tempo, uma constante evasão de nós mesmos, e uma evasão do mundo visível e sensível.”
(T.S. Eliot — The use of poetry and the use of criticism)
Originally published at https://nadadeimportanteaconteceuhoje.com on December 21, 2016.